Comunidade quilombola Paratibe

19 maio 2021

A comunidade quilombola Paratibe está localizada na zona sul de João Pessoa e é uma das três comunidades quilombolas urbanas do estado da Paraíba. Segundo registros a partir da memória coletiva da comunidade, cinco famílias formaram seu núcleo familiar original, para a Associação da Comunidade Negra de Paratibe sua população é de aproximadamente 600 famílias.


A partir de um estudo realizado pelo INCRA/PB foi constatado que a comunidade tem mais de 200 anos de existência. Um documento registrado em cartório na data 2 de setembro de 1855, onde o senhor João José Pereira de Carvalho e a senhora Maria Roza da Conceição Carvalho se declararam consenhores das terras de Paratibe e da Gruta, consta como o primeiro.


Segundo pesquisa de Rodrigues e Silvestre (2013, disponível em Rodrigues, 2017) a propriedade da terra era mantida através de dois fatores: como herança repassada dos pais para os filhos, que ao casarem construíam suas casas no mesmo terrenos que os pais, e os casamentos entre famílias quilombolas, que contribuiu para que a propriedade se mantivesse entre antigos moradores e seus parentes, tendo esse processo durado até os anos de 1960.


A partir de então a história da comunidade foi marcada por sucessivas perdas territoriais, quando se teve início na Paraíba a construção dos conjuntos habitacionais financiados pelo governo na década de 1960. Nos anos de 1970 e 1980 esse processo se agravou e os bairros começaram a crescer em torno de Paratibe.


O crescimento de João Pessoa em direção ao sul persiste e começa a alterar as dinâmicas sócio espaciais da comunidade com a ocupação das terras do quilombo. E essa pressão da especulação imobiliária levou alguns dos antigos moradores a venderem seus terrenos por valores irrisórios, com lutas judiciais sendo travadas desde então para a demarcação permanente do território da comunidade.


A comunidade Paratibe foi reconhecida como remanescente quilombola em 11 de junho de 2006 pela Fundação Palmares. A comunidade tem como principais costumes a ciranda, coco de roda, festas religiosas, o “fazimento de quartos” (culto aos doentes e defuntos), curandeirismo, cultos religiosos de matriz africana. Atualmente a comunidade luta para preservar e reafirmar sua identidade, apesar do preconceito e dificuldades.