Comunidade quilombola dos 40 Negros

21 abr 2021

A história da comunidade quilombola dos 40 Negros é marcada por um evento de remoção forçada e a necessidade de buscar um local para se assentar. Os ancestrais da comunidade dos 40, que viviam na comunidade Mãe d’Água, em Pombal (PB), viram na chegada de outras famílias nesse local o início de uma série de conflitos violentos pela terra, causando a migração de cerca de 11 famílias, que compunham 40 integrantes ao total. O grupo, à procura de um local tranquilo para viver, foi aconselhado pelo rezador e conselheiro José de Moura a se refugiar onde veio a se constituir o município de  Triunfo (PB), que na época ainda fazia parte do município de São João do Rio do Peixe (PB). No caminho, também trabalharam em obras em São José de Piranhas.


Dona Nair (@nair.nacimento.9), liderança da comunidade, relata que seus avós estavam entre esse grupo que no início dos anos 1950 se refugiaram em Triunfo, sendo recebidos pela família Teodoro. Na nova morada, passaram a trabalhar na agricultura; na vila os homens também faziam trabalhos braçais e as mulheres trabalhavam nas casas de famílias locais.


Os 40 Negros, grupo que agora conta com aproximadamente 150 pessoas de 59 famílias no município de Triunfo, descobriu-se, a partir de suas práticas, modos de vida e tradições, como remanescente de comunidade quilombola. Mantém uma associação desde 2008, que também funciona como um pequeno museu que conta com objetos que representam a história do grupo. Apesar disso, têm muitos desafios a enfrentar. Por exemplo, muitas famílias não possuem casa própria ainda e a sede que usam é emprestada.


A comunidade dos 40 Negros tem mantido as tradições dos pioneiros com um grupo de dança de roda e a Banda Cabaçal, que representa uma manifestação artística de caráter popular, agora formada por crianças a banda recorrentemente se apresenta em festivais e festas populares, como a Festa do menino Deus que acontece em dezembro. Outras expressões como culinária e artesanato com crochê também fazem parte da identidade dessa comunidade. Em homenagem aos 40 Negros existe uma praça de nome Praça dos 40, onde há um resgate da história do grupo com o nome de cada um gravado em 40 bancos.


Em outubro de 2020 a comunidade quilombola recebeu, através da Fundação Cultural Palmares, sua certificação - a mais recente da Paraíba. Esse ato institucional tem como objetivo dar o reconhecimento estatal da ancestralidade da comunidade e trazer o acesso a direitos básicos e específicos . Para Andréa Coutinho, antiga ouvidora da Ouvidoria Geral da Defensoria Pública do Estado da Paraíba, “a certificação abre portas para eles poderem participar de projetos e editais, porque ela já tem a legitimidade da cultura, da importância da luta, mas uma certificação vindo da Fundação Palmares fortalece ainda mais”.