Informe Epidemiológico N. 2

Heloísa Wanick e Patrícia Pinheiro

19 mar. 2021

Vacina, tem mas tá em falta


Na verdade, vacina tem. Aliás, vacinas, pois há várias opções disponíveis sendo fabricadas por diversos países. Logística tem também. O Brasil possui um Programa Nacional de Imunizações (PNI) que é uma referência internacional em saúde coletiva e atua desde a década de 1970, sem contar o histórico anterior de imunizações. Por que então vacinamos, até o momento, apenas um pouco mais de 5% de nossa população?

Desde o ano passado, tentativas de acordos para garantia da compra de vacinas estão sendo feitas, porém o governo federal não garantiu nenhum. Um caso emblemático foi com a Pfizer, que ofertou 70 milhões de vacinas ao país.

Assim, a vacinação demanda uma logística e experiência que o Brasil tem, porém tivemos também desdém na negociação da compra das doses e mesmo no investimento necessário à ciência para a produção própria. Enquanto em países em que houve investimento em ciência e tecnologia, a produção de vacinas está a todo vapor, como nos Estados Unidos, por aqui a situação aponta para o colapso, como Átila Iamarino descreve na sua Live do dia 16 de março.

O resultado é uma letal lentidão na vacinação no Brasil. Tem, mas tá faltando.

Embora a vacinação não traga a certeza da imunidade total contra o coronavírus (e, menos ainda, contra as novas variantes), permite o controle da doença, o que nos traz esperança de vida e a expectativa de dias melhores. Enquanto não chega para todos, precisamos estar juntos, mesmo que separados fisicamente. A união nos fará vencer essa batalha contra a covid-19 e o desgoverno que nos assola.


Vacina tem? Ou terá?


Uma vacina suscita respostas do nosso sistema de defesas, que se prepara melhor para combater o ataque externo. As técnicas variam e também a necessidade de uma ou duas doses.Também há diferenças na demanda por armazenamento específico (temperatura e luz) que influenciam na qualidade da vacinação. Jacaré, ninguém virou até agora.

Dentre as vacinas disponíveis, podemos mencionar a CoronaVac, a Sputnik, a Novavax; há também a vacina da ModernaTX e a da Pfizer, que são baseadas na técnica de RNA. A eficácia de cada uma é diferente, seja em casos leves, seja em casos graves. Por exemplo, a  Novavax apresentou eficácia de quase 90%, já a Sputnik V chegou a 91,6% e, ao lado das vacinas da Pfizer (com 95% de eficácia) e da Moderna (com 94,5%), são as vacinas mais eficazes. Esses percentuais, claro, precisam ser reavaliados diante das mutações.


AstraZeneca


Após alguns dias de muita polêmica em torno de possíveis efeitos colaterais da vacina AstraZeneca, a vacina de Oxford, apresentamos a síntese do parecer da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) sobre esta vacina, assim como outros informes.

Enquanto na Europa a polêmica segue por questões políticas, somadas ao fato de que possuem outras opções de vacina, por aqui, sigamos aliviados com a boa nova emitida pela Anvisa em 12 de março de 2021. A Agência deu o registro definitivo da AstraZeneca, considerando que não há evidências de riscos de ocorrências de trombose e embolia devido à esta vacina. Aqui a AstraZeneca é fabricada em parceria com a Fiocruz. A previsão é que as entregas ao Ministério da Saúde somem 214,4 milhões até o final do ano, com início da produção em março.

Outra boa nova chega com o estudo preliminar que indica a eficácia da AstraZeneca contra a variante de Manaus. Embora seja um resultado ainda com necessidade de investigações mais aprofundadas – e é bom salientar que esse é o caminho da ciência -, a esperança cresce.

Além da AstraZeneca, também a CoronaVac, que está sendo produzida pela empresa chinesa Sinovac Biotech (no Brasil conta com parceria do Instituto Butantan), poderá ser entregue ao Brasil ainda neste semestre.

Além disso, o Consórcio do Nordeste garantiu a compra de 37 milhões de doses da vacina Sputnik V, que serão distribuídas no país, mas reforçam que a garantia da vacina deve ser nacional e as compras feitas de modo integrado.


O vírus e suas variantes


Mas não podemos dizer que a esperança que alimentamos por mais recuperações, menos adoecimento e morte está livre das novas variantes. Ou seja, o vírus pode sofrer mutações que o tornam mais contagioso ou mais agressivo. Quanto mais ele se espalha, maior é a chance disso acontecer.

As vacinas já em uso foram desenvolvidas antes do aparecimento das novas variantes. Isso quer dizer que são eficazes para a covid-19, mas que ainda há dúvida em que grau essas novas variantes influenciam na sua eficácia.

Diante do exposto, as novas variantes, numa situação de falta de vacinação em massa, tendem a escapar das vacinas já desenvolvidas e em uso e, consequentemente, diminuem sua eficácia. Mais que isso, colocam em risco a vacinação feita até então, potencializando o surgimento de novas variantes.

Como já compartilhamos em outros momentos, as medidas restritivas de mobilidade e os cuidados sanitários são extremamente necessários, para não dizer que são a única forma de reduzir a mobilidade também dos vírus. Se circularmos e não nos protegermos, o vírus circula também e a transmissão entre as pessoas se torna maior.

Por isso, o momento de pressão e manutenção dos cuidados faz-se extremamente importante, pois vacinar é uma questão de saúde coletiva. O momento ainda é de combate ao negacionismo em relação à ciência e à vacinação e de combate à desinformação.


Pacto Nacional pela Vida e pela Saúde

Nós do Observatório Antropológico nos solidarizamos com o ato Pacto Nacional pela Vida e pela Saúde e o ato ocorrido na sexta-feira, dia 12 de março último. O ato foi uma resposta de 21 dos 27 governadores do país ao vazio deixado pelo Palácio do Planalto no controle da pandemia de Covid-19, com o objetivo reforçar a necessidade de união da sociedade para valorização da vida, com vistas à redução da transmissibilidade do vírus, na finalidade de diminuir os adoecimentos e mortes. Para conhecer, acesse o link.