Informes Epidemiológicos 4

Phelipe Caldas e Heloísa Wanick

may 23, 2020

Instituições alertam para risco de colapso do sistema de saúde da Grande João Pessoa e publicam carta aberta em defesa do isolamento social


Ocupação dos leitos de UTI em hospitais públicos e privados varia entre 75% e 90% e unidades ficam próximas do esgotamento total da capacidade de atendimento


A Região Metropolitana de João Pessoa vive em meio a riscos reais de sofrer, em breve, com o esgotamento total da capacidade de atendimento da sua rede hospitalar pública e privada. Diante desse cenário, uma série de instituições e entidades se uniu para publicar em conjunto uma “carta aberta de alerta à população paraibana”, justamente para reiterar a necessidade de se respeitar o isolamento social em todo o território estadual.


De acordo com o documento, os principais hospitais de João Pessoa já estão funcionando próximos de seus limites, sugerindo que em pouco tempo poderá não ter mais leitos disponíveis para novos pacientes.


Entre os hospitais privados, o Memorial São Francisco é aquele que está em situação mais crítica, com 90% dos leitos de UTI e 100% dos leitos de enfermaria ocupados. Já no Hospital da Unimed, a taxa de ocupação é de 85% na UTI e de 90% na enfermaria. Enquanto que no Nossa Senhora das Neves a ocupação é de 75% na UTI e de 86,66% na enfermaria.


Situação parecida vivem os hospitais da rede pública de saúde localizados em João Pessoa e que compõem a 1ª Macrorregião de Saúde da Paraíba. Contabilizando todas as unidades, a proporção de ocupação dos leitos de UTI está em 83% e o de enfermaria está em 58%.


Para aqueles que subscrevem o documento, se nada for feito o problema se tornará insustentável em pouco tempo: “Em meio aos desafios e hipóteses que ainda cercam a pandemia de Covid-19, está óbvio que o isolamento social rigoroso é a ação mais eficaz para evitar a rápida propagação da doença e o consequente colapso do sistema de saúde, tanto da rede pública quanto da rede privada”, diz a nota em dado momento.


Conforme a Organização Mundial de Saúde (OMS), as cidades precisam manter um isolamento de ao menos 70% para frear a disseminação do vírus, algo que a cidade de João Pessoa nunca conseguiu desde o início de todo o problema. Ao longo desta última semana, por exemplo, esse percentual na capital girou em volta de 46%, o que agrava todo o transtorno.


A carta, além do mais, abordou a questão. Classificando o momento atual como “grave”, pediu serenidade e solidariedade de todos. Principalmente união das instituições e da população local para “rechaçar condutas de desrespeito às referidas medidas (de isolamento social) e manifestações que incitam tal desrespeito, contradizendo diretrizes técnicas adotadas pela legislação nacional e local”.


O documento é assinado por Ministério Público Federal na Paraíba, Ministério Público da Paraíba, Ministério Público do Trabalho e Secretarias Estadual e Municipal de Saúde, e também pelos três maiores hospitais privados de João Pessoa.