Informes Epidemiológicos 7

Ednalva Neves e Heloisa Wanick

jun 19, 2020

Os números da pandemia, o isolamento social e a Estratégia da Saúde da Família

 

Os números apontam deslocamentos na infecção do coronavírus – dos bairros de classe média para os bairros populares; das grandes cidades do estado para o interior, a chamada interiorização.

 

O isolamento social em João Pessoa, no dia 18 de junho de 2020, foi de 43,9 %, segundo os dados do Painel COVID-19 da Vigilância Epidemiológica/Secretária Municipal de Saúde do município. Chegou a ser de apenas 31,3% na área com menor isolamento. Um número baixo se comparado ao que sugere a Organização Mundial de Saúde (OMS), que afirma que o ideal é 70% de isolamento social para o controle do novo coronavírus.


Em um ciclo difícil de romper, as autoridades estaduais e do município de João Pessoa têm expectativas que se tenha um engajamento da população para garantir a flexibilização econômica. Porém, esse engajamento está muito baixo, porque justamente as pessoas precisam sair para batalhar pelo sustento das suas famílias.

 

Resta-nos uma indagação: como cuidar dessas pessoas e de suas famílias, para além das UPAS e hospitais de campanha?

 

Uma importante resposta está no trabalho de aproximadamente 8.276 Agentes comunitários de saúde (ACS), que juntamente com 1.327 equipes de saúde da família tentam reinventar seu trabalho em plena pandemia da COVID-19 na Paraíba. Conhecem seus territórios, as famílias em situação precária de vida, os mais doentes e os que lhes cuidam, os que trabalham e os que ficam em casa.


Elas/eles são agentes para conseguir o apoio da população. Elas/eles podem assumir o cuidado daquelas/es que não têm o privilégio de “ficar de casa”, podem acompanhar/mapear suas famílias e identificar sinais da COVID-19. Porém, continuam na invisibilidade, considerando a Portaria GM/MS nº 2.698 de 24 de outubro de 2019, que retirou os incentivos não só dos ACS, mas também dos Núcleos de Atenção à Saúde da Família – Atenção Básica (NASF-AB).


O Sistema Único de Saúde (SUS) possui uma rede de serviços de cuidados, com níveis de complexidade e hierarquia que podem estabelecer o fluxo da atenção em mão dupla. E as/os Agentes Comunitários de Saúde poderiam estar mais à frente no mapeamento de famílias que precisam de apoio na pandemia, valorizando seu importante trabalho. Por que não estamos engajando mais essas equipes no enfrentamento da COVID-19? Por que os profissionais que estão nas Unidades Básicas de Saúde continuam solitários?

 

Os números nos alertam: precisamos mudar e estender a estratégia de enfrentamento da COVID-19!


 

Referências:

PB- Plano Estadual de Saúde – 2016-2019/Secretaria Estadual de Saúde. Consultado em: https://www.conass.org.br/pdf/planos-estaduais-de-saude/PB_Plano%20Estadual%20de%20Saude%202016_2019.pdf, acessado em 18 de junho de 2020

BRASIL, Ministério da Saúde. Gabinete Ministerial. PORTARIA Nº 2.698, DE 14 DE OUTUBRO DE 2019. Brasília: DOU 15/10/2019 (Edição: 200 | Seção: 1 | Página: 136).

Secretaria de Planejamento de João Pessoa. Secretaria Municipal de Saúde de João Pessoa. Vigilância Epidemiológica. Dados de distanciamento social. Consultado em: https://experience.arcgis.com/experience/d76ba516389d4e83b9a778d266cac5c1/, acessado em 18 de junho de 2020.