Informes Epidemiológicos 8

Phelipe Caldas e Heloísa Wanick

jul 04, 2020

Paraíba ensaia reabertura sem cumprir exigências da OMS


Governos estaduais e municipais e entidades privadas buscam a reabertura, mas o Estado não demonstra estar pronto para isso. Futebol volta no dia 22.

 

A Paraíba, em suas diversas instâncias, vem ensaiando várias modalidades de reabertura social e econômica sem estar ainda preparada para tanto, ao menos de acordo com as determinações da Organização Mundial de Saúde (OMS), que define seis regras essenciais sobre o coronavírus que devem ser respeitadas antes que medidas como essa sejam executadas.

 

Na última semana, por exemplo, a Prefeitura Municipal de Cabedelo anunciou a reabertura de seu comércio, mas acabou recuando por decisão judicial. Já na semana que vem, volta a circular na capital paraibana os ônibus coletivos, que estavam desde março sem circular.

 

Outras medidas estão sendo estudadas ou tentando ser implantadas em todo o território. Em Patos, por exemplo, no Sertão paraibano, a Prefeitura daquele município foi outro ente público que nos últimos dias defendeu o afrouxamento do isolamento social.

 

Enquanto que o Governo da Paraíba criou o que chama de “Plano Novo Normal Paraíba”, com o objetivo de monitorar a reabertura das cidades de forma individual. E no primeiro relatório, de 15 de junho, chegou a colocar Cacimbas com bandeira verde, o que permitia a abertura total do município e de suas atividades. Quinze dias depois, contudo, precisou recuar.

 

Aliás, as medidas não ficam restritas aos poderes públicos. Clubes de futebol e a Federação Paraibana da modalidade anunciaram que retomarão o Campeonato Paraibano em 22 de julho, ainda que sem público – mas colocando toda a estrutura da modalidade em contato uns com os outros.

 

O problema em tudo isso, no entanto, é que os dados mostram que essas medidas acontecem cedo demais. Dentre as condições impostas pela OMS, muitos locais do Estado têm dificuldade de cumprir questões como o controle sobre a transmissão da doença, a redução do risco de novos surtos, controles sobre o surgimento de casos importados e conscientização da população.

 

Até mesmo as outras duas imposições mais técnicas, que são a capacidade de detectar e tratar novos casos e adotar medidas de prevenção nos locais de trabalho não é algo possa ser garantido de forma universal para todo o território. E uma das provas para isso recai nas suspeitas de grave subnotificação na testagem da população.

 

Ademais, o isolamento social na Grande João Pessoa, apenas para tomar como exemplo a região mais afetada do Estado, está em apenas 40%, quando o recomendado seria de 70%, o que torna improvável falar em consciência da população quanto aos cuidados que devem ser tomados a partir de agora.

 

Números alarmantes

 

Enquanto se fala em abertura, os números preocupam. A Grande João Pessoa já registrou 482 óbitos por Covid-19, enquanto que em todo o território paraibano já são 1.044 mortes. Apenas entre quarta-feira e quinta-feira, foram 42 óbitos confirmados na Paraíba num intervalo de apenas 24 horas. O Estado, além do mais, deve ultrapassar ainda neste fim de semana a marca dos 50 mil casos confirmados. Atualmente, são 49.536.

 

 

Debates nacionais

 

Em um quadro de tantas incertezas e dificuldade de informações, a questão do afrouxamento das medidas de isolamento social em âmbito nacional está sendo abordada no Plano Nacional de Enfrentamento à Pandemia da Covid-19, articulado pelas organizações da Frente pela Vida. O Plano traça recomendações às autoridades políticas e às sanitárias, aos gestores públicos em saúde e à sociedade em geral, mostrando que a sociedade brasileira é capaz de produzir uma resposta alternativa ao descaso e descompasso geradores de morte. Confira em: https://frentepelavida.org.br.