Notícia 01_2021

Ana Rozendo, Patrícia Pinheiro e Rita Santos

12 abr 2021

O projeto “Povos em Rede!” surgiu em 2020 como parte da atuação do Observatório Antropológico na construção de saídas para os efeitos da pandemia do novo coronavírus. O projeto é financiado pelo Fundo Casa e tem como principal objetivo garantir os direitos de comunidades étnico e racialmente diferenciadas, com foco na geração de renda e fortalecimento do direito à cidade, atravessando o tema da preservação ambiental. O “Povos em Rede!” também busca promover o fortalecimento comunitário e a construção de representações positivas sobre os grupos atendidos.


Participam do projeto, os indígenas venezuelanos Warao, a comunidade de São Rafael e a comunidade quilombola de Mituaçu. Em comum, essas comunidades sofreram processos de deslocamento e/ou ameaças sobre os seus territórios. O contexto pandêmico contribui para o agravamento da situação, rompendo com parte das estratégias adotadas por elas para manutenção do seu modo de vida e lançando-as em uma situação de ainda maior vulnerabilidade.


Além do risco de contágio e adoecimento, a pandemia trouxe a suspensão de algumas formas de geração de renda. Pensando nisso, buscamos atuar nessas comunidades através de algumas frentes de ação. Temos planejadas oficinas de tecnologias sociais, assessorias e cursos de profissionalização, ajustadas de acordo com os protocolos sanitários vigentes. Nas oficinas de tecnologia social, a ideia é promover a facilitação digital para o aperfeiçoamento do uso de plataformas que podem ser usadas como instrumentos de geração de renda.


Para atender o propósito de valorização da diversidade cultural, formulamos um podcast, que está sendo produzido pelo Observantropologia, que permite o diálogo entre estudantes, especialistas e indígenas. Nele debatemos temas como os desafios encontrados pelos waraos no Brasil, esclarecimento para obtenção de documentação básica e proteção social, direitos dos indígenas no Brasil, direito à mobilidade e direito da mulher e das crianças no contexto brasileiro.


A fim de permitir o maior alcance dos produtos comercializados, pretendemos construir o website “Povos em Rede!” para a apresentação e venda de objetos produzidos pelas comunidades atendidas e também pela rede de costureiras indígenas, ciganas, quilombolas e de periferia formada a partir do projeto anterior financiado pela AUF para costura e distribuição de máscaras em suas comunidades. No caso da comunidade de Mituaçu, o destaque é para a produção de fuxico para artigos de decoração e de uso pessoal, como também itens de alimentação.


A pandemia aprofundou as desigualdades. Com a suspensão da vida cotidiana, com a redução da circulação nos espaços urbanos e com a amplificação do medo de contágio, as comunidades vulnerabilizadas viram suas estratégias de sobrevivência serem sacudidas e colocadas à prova de um novo mundo que ainda está para emergir. O futuro nunca se mostrou tão incerto e em disputa. 

Diante desse cenário, agir se torna imperativo. Agir coletivamente, a única saída. É acreditando no potencial transformador do coletivo que esse projeto foi formulado. É na aposta do encontro entre povos e comunidades diferentes que acreditamos estar a  saída para esse novo mundo.