TABAJARA

O povo Tabajara habita tradicionalmente o litoral sul da Paraíba e ainda não tem suas terras indígenas demarcadas, encontrando-se disperso em mais de uma dezena de localidades nas áreas rurais, urbanas e ribeirinhas dos municípios de Conde, João Pessoa, Bayeux, Pitimbu e Alhandra. Totalizam em torno de 1200 pessoas, de acordo com levantamento das lideranças indígenas. 

No município do Conde existem três aldeias organizadas: Barra de Gramame, Aldeia Vitória e Nova Conquista. Esta última é uma aldeia em processo de construção no momento da pandemia. Oficialmente, a Secretaria Especial de Saúde Indígena contabiliza apenas uma centena de moradores nas duas primeiras aldeias, estando a maior parte da população Tabajara sob jurisdição das secretarias municipais de saúde. 

Da mesma forma que o litoral norte, o litoral sul da Paraíba é acessado por diversas vias asfaltadas (BR-101, PB-008, PB-034 e PB-018) e de terra, existindo grande risco de contágio devido a circulação de pessoas por esses territórios, já que esta também é uma região de grande fluxo turístico e com intenso processo de urbanização ao longo da BR-101 e da faixa litorânea, incluindo as praias de Jacumã, Tabatinga, Coqueirinho e Praia Bela.

As aldeias no município do Conde encontram-se fechadas por determinação das comunidades e tem contado com apoio da Prefeitura Municipal, Sesai, Funai e Governo do Estado para manter esse isolamento. Aos finais de semana, o isolamento é reforçado, pois há grande fluxo turístico nas praias da região, algumas das quais habitadas por famílias Tabajara. A Aldeia Vitória, que costuma receber turistas e excursões escolares, está fechada para visitação.

Como já dissemos, a maior parte do povo Tabajara não vive nas aldeias, mas em áreas urbanas e ribeirinhas das cidades vizinhas. São dependentes de atividades econômicas autônomas, onde se expõem fortemente ao contágio. Da mesma forma, tem sofrido impactos sérios nos seus rendimentos familiares. Tivemos notícias de pelo menos uma campanha de arrecadação de donativos para famílias Tabajara que vivem no Porto do Capim, comunidade tradicional ribeirinha no Centro da cidade de João Pessoa. 

Até o momento, não há registro de casos de COVID-19 entre os Tabajara, porém consideramos a situação desse povo indígena como de alto risco, pois não possuem terras demarcadas, sua população tem uma distribuição geográfica muito ampla e sofre de inúmeras vulnerabilidades socioeconômicas e sanitárias, pois ainda não estão sendo atendidas em sua totalidade pelos órgãos de proteção indigenista.

Há apoios oficiais que chegam com mais facilidade às aldeias já organizadas, porém, a situação dos indígenas urbanos, em especial na cidade de João Pessoa apresenta uma vulnerabilidade muito maior e campanhas pontuais de arrecadação de alimentos já foram efetuadas.

Potiguara

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